A carne de jumento, descrita como rica em proteínas e com baixo teor de gordura, encontrou mercado na China e em regiões do Mediterrâneo europeu. O couro também é valorizado para a produção de ejiao, uma gelatina associada à medicina tradicional chinesa.
Segundo a matéria, empresas chinesas chegaram à Bahia a partir de 2018, quando a população brasileira de jumentos era estimada em 700 mil animais, conforme dados considerados imprecisos do IBGE. A China teria interesse em abater 100 mil jumentos por ano e passou a buscar animais em outros continentes.
A pele é apontada como o principal produto de interesse comercial. O colágeno extraído do couro pode ser vendido on-line por até US$ 920 por quilograma, enquanto a produção do composto exigiria o abate de 6 milhões de jumentos por ano, de acordo com a organização britânica The Donkey Sanctuary.
Na Bahia, o abate de asininos em frigoríficos certificados pelo SIF foi considerado legal por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de 5 de novembro de 2025. A atividade, porém, é alvo de divergências entre o setor, pesquisadores e entidades de proteção animal.
Especialistas citados pela reportagem afirmam que a criação de jumentos para carne e pele não é economicamente sustentável no Brasil. A gestação dura cerca de 12 meses, o animal precisa viver de dois a três anos até atingir o peso de abate e o custo de produção pode chegar a R$ 2 mil, enquanto o valor de mercado de um jumento nordestino normalmente não ultrapassa R$ 180.
A matéria também relata problemas de rastreabilidade e de controle sanitário. Os animais podem ser comprados de pequenos produtores ou capturados em estradas, muitas vezes em condições insalubres. Entre as preocupações está o mormo, doença apontada como letal para humanos quando não tratada adequadamente, além da Anemia Infecciosa Equina.
Os dados sobre a redução da população são considerados imprecisos. Um especialista estima que existam mais de 200 mil jumentos no país, o que representaria uma queda de 71,4% entre 2016 e 2026; pesquisas do IBGE, entretanto, indicariam redução de até 94%. A reportagem afirma que dois dos três frigoríficos existentes na Bahia já fecharam.
Além do impacto econômico e sanitário, pesquisadores alertam para a perda de variabilidade genética e para o risco de desaparecimento da espécie. Uma alternativa em estudo pela Universidade Federal do Paraná é produzir colágeno por fermentação de precisão, com microrganismos geneticamente modificados, sem a exploração animal.
O jumento nordestino é apresentado como parte da história da agricultura familiar e da cultura regional. Especialistas defendem a preservação dos animais, inclusive pelo potencial de adaptação ao clima sertanejo e às futuras condições de seca e desertificação.
Fonte: A Tarde, publicado em 11/09/2026, 07:00 por Carla Melo. Texto produzido com auxílio de IA a partir da fonte indicada.
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