A história da industrialização brasileira e a atuação de empresários suíços no país são tema do livro “Do diamante ao tabaco: a primeira indústria suíça no Brasil (1736-1913)”, da historiadora Sylvie Doriot Galofaro. A obra será lançada na terça-feira (13), às 15h, no Museu Geológico da Bahia, em Salvador, com palestra da autora.
Publicado pela Editora Capivara, o livro reúne documentos localizados na Europa e no Brasil, entrevistas e imagens históricas. A pesquisa acompanha famílias como Meuron, Pury, Pourtalès e Borel e examina as relações comerciais entre Europa, Portugal e o Brasil.
Um dos focos do trabalho é a Fábrica Imperial Arêa Preta, fundada por Auguste-Frédéric de Meuron em Salvador, em 1817, inicialmente na região de Ondina, próxima ao atual Zoológico. O estabelecimento produzia rapé e ocupa posição central na investigação sobre a presença suíça no Brasil.
Durante a Guerra da Independência da Bahia, em 1823, a fábrica serviu de refúgio e foi incendiada pelos portugueses. Depois do episódio, De Meuron recebeu autorização do governo baiano para alugar o Solar do Unhão, que estava em ruínas. Com o sócio Schultz, ele restaurou o imóvel e o adaptou para a produção de rapé.
Segundo a historiadora, o nome Arêa Preta teria sido inspirado na areia observada por De Meuron na praia de Ondina. A empresa expandiu suas atividades para outras capitais: abriu uma filial no Rio de Janeiro em 1832 e uma terceira fábrica em Recife, em 1836.
A pesquisa também questiona a imagem de benfeitores atribuída a empresários cujas fortunas financiaram hospitais, escolas e equipamentos públicos. Sylvie destaca que a acumulação desses recursos esteve relacionada à exploração da mão de obra escravizada e ao comércio de pessoas.
O livro examina ainda a circulação de mercadorias entre diferentes regiões brasileiras e cidades europeias como Londres e Paris. Também aborda a fortuna de David de Pury, que destinou recursos à cidade suíça de Neuchâtel, e contratos ligados ao comércio escravista.
Além de documentos, a publicação reúne fotografias e pinturas sobre as fábricas e seus trabalhadores, incluindo registros da coleção de Flavia e Frank Abubakir, do Instituto Flavia Abubakir, com sede em Salvador e em Crans-Montana, na Suíça. A autora pretende continuar a pesquisa e localizar descendentes de pessoas ligadas à fábrica na Bahia, em Recife ou no Rio de Janeiro.
Fonte: A Tarde, publicado em 11/10/2026, 08:38 por Manoela Santos*. Texto produzido com auxílio de IA a partir da fonte indicada.
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