A restrição ao uso de celulares nas escolas mudou a dinâmica dos intervalos em instituições da Bahia. Segundo relatos reunidos pela reportagem, os estudantes passaram a se dividir entre estudar, conversar, jogar e praticar atividades físicas, em vez de permanecerem concentrados nas telas.
A mudança é atribuída à Lei federal 15.100/2025, em vigor desde janeiro de 2025. A norma restringe o uso de celulares em escolas públicas e privadas de todo o país, mas prevê exceções para atividades didáticas supervisionadas, acessibilidade, saúde e emergências.
No colégio Salesiano Dom Bosco, que possui unidades em Salvador e Camaçari, a adaptação ocorreu de forma gradual. A gestora pedagógica Cristina França afirma que foi necessário explicar aos alunos os motivos da regra e mudar procedimentos, como o pagamento do lanche, que passou a ser feito com cartão físico ou fichas antecipadas.
Na escola Gurilândia, a professora Lilian Tenório dos Santos relata que conflitos trazidos de grupos e conversas externas para a sala de aula se tornaram menos frequentes. Ela também percebeu maior interação e atenção durante as aulas.
O professor Murilo Mello, que leciona há 28 anos, afirma que a atenção dos estudantes aumentou. Ele, porém, avalia que o celular não deve ser demonizado e pode ser usado como instrumento educacional quando houver intervenção do professor e finalidade definida.
A pesquisa do Ministério da Educação, em parceria com o Inep e o Instituto Alana, ouviu mais de 2.400 gestores. Entre os entrevistados, 92% disseram que suas escolas já implementavam a lei; 97% perceberam mais participação em atividades pedagógicas e 95% relataram mais concentração e socialização presencial.
Especialistas ouvidos pela reportagem pedem cautela na interpretação dos resultados, porque os dados refletem a percepção dos gestores. Para medir efeitos sobre a aprendizagem, seria necessário acompanhar os estudantes por mais tempo e usar indicadores objetivos. Também é defendida a participação de professores, alunos e famílias na avaliação da medida.
Os relatos destacam que a restrição exige alternativas ao celular, como brincadeiras, esportes e atividades artísticas, além de educação digital e midiática. Famílias e escolas também são orientadas a manter canais de comunicação próprios para situações necessárias, sem depender do contato direto dos alunos durante as aulas.
Fonte: A Tarde, publicado em 11/10/2026, 07:09 por Pedro Resende. Texto produzido com auxílio de IA a partir da fonte indicada.
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